Healthtech utiliza tecnologias como, banco de dados, aplicativos e celulares, para otimizar a entrega, pagamento e/ou consumo de cuidados, com a capacidade de aumentar o desenvolvimento e comercialização de medicamentos.
Criar um conceito definido para a Healthtech, está se mostrando difícil para um setor que tem uma lista aparentemente interminável de possíveis usos para a tecnologia dentro de suas muitas operações, serviços e inovações. Os subsetores incluem: hospitais e profissionais, seguros, serviços voltados para o consumidor, produtos farmacêuticos, governo e tudo aquilo que possui o potencial da parceria entre tecnologia e indústria da saúde.
Quão rápido a Health Tech está crescendo?
Muitas indústrias levam décadas para atingir um nível de maturidade que pode facilmente absorver soluções inovadoras e se adaptar de acordo. Entretanto, o setor de Health tech não teve esse tempo: nos últimos cinco anos, até o final de 2015, o financiamento de risco cresceu 200%, permitindo que US$11,7 bilhões fluíssem para empresas de Health Tech de mais de 30.000 investidores da área. Para se situar, a indústria foi avaliada em US$7,2 trilhões em 2015 apenas nos EUA.
A razão dessa mudança sísmica no financiamento e na modernização é simples: era necessário. A indústria da saúde foi uma das menos receptivas aos desenvolvimentos tecnológicos. Até 2010, 50% dos médicos americanos usavam caneta e papel para registro de pacientes, e na Europa, Austrália, Nova Zelândia e em outros lugares, os relatórios eram semelhantes. A indústria da saúde era muito dependente de modos de trabalho desatualizados e ineficientes. A saúde digital representa a disrupção para o setor de saúde que fundadores, investidores e consumidores estão extremamente interessados em participar.
O Setor de saúde tem atravessado tempos difíceis desde o início da pandemia do Covid-19. Por um momento, esta dificuldade cria uma alta tensão no setor, mas se olhado por outro ângulo, cria centenas de inovações tecnológicas que já aconteciam, porém agora de forma acelerada. E para fomentar esse mercado tão escalável, o ano de 2021 começou com apoio excepcional na parte financeira, com volumes gigantes para startups que oferecem soluções aliadas à tecnologia para o segmento da saúde. Principalmente no Brasil, onde os investimentos somaram 90 milhões de dólares, só nos primeiros três meses do ano, segundo o último relatório do Distrito sobre Healthtechs, de março de 2021. Essa cifra corresponde a 85% do total investido em todo o ano de 2020.
As mudanças regulatórias nos EUA também impulsionaram o crescimento da HealthTech em seu maior mercado. Em 2009, foi criada a Lei de Tecnologia da Informação em Saúde para Saúde Econômica e Clínica (HITECH) para estimular a adoção de prontuários eletrônicos de saúde e tecnologia de apoio. Da mesma forma, o Affordable Care Act tem desempenhado seu papel no incentivo à adoção de software em saúde privada nos EUA, e no Reino Unido, o NHS está fazendo progressos para se tornar mais colaborativo com startups e serviços de tecnologia. As tendências globais de saúde e população também estão envelhecendo, e à medida que o estresse que isso coloca no mundo médico começa a aparecer, a Tecnologia de Saúde inovadora também evoluiu para enfrentar esses desafios, e muito mais.
Qual é o futuro da Health Tech?
As empresas do ramo da saúde com inovações tecnológicas estão em uma posição invejável, pois seu apoio financeiro e ao consumidor promete um forte e contínuo gráfico de crescimento nos próximos anos. A promessa da tecnologia de inovar e atualizar vem em um momento em que a saúde precisa responder à crescente demanda de recursos, e a revolução da saúde digital está em uma posição forte não só para criar soluções, mas entregá-las também. O setor ainda é jovem, no entanto, fragmentado, e para que a atual indústria de Health Tech cresça ainda mais, o ambiente regulatório, em particular, precisa evoluir ao lado da saúde digital para que ambos beneficiem o público que foram projetados para alcançar.
Novidades do mercado de Healthtechs
Como o mercado de saúde não para de crescer, muitas iniciativas estão surgindo para atender e disputar a corrida pela fidelização dessa nova maneira de vivenciar a Saúde. As redes de drogarias Raia Drogasil, por exemplo, fecharam um contrato para compra de 50,75% de participação acionária da Healthtech HealthBit performansys. O plano da rede é investir em negócios que contribuam com a sua estratégia de crescimento e aceleram a sua jornada de transformação digital, desenvolvendo soluções de saúde e prevenção de doenças para funcionários e beneficiários de companhias e operadoras de saúde.
Já o grupo de medicina diagnóstica Sabin criou uma plataforma de saúde digital para oferecer acesso simples e eficiente à saúde através da conexão entre pacientes e médicos. O negócio já nasceu com 60 mil clientes do cartão de saúde do Sabin e, segundo estimativas, pode gerar uma receita adicional de até R$100 milhões entre dois e cinco anos.
Mas qual o verdadeiro diferencial destas Startups?
Segundo Tiago Ávila, líder do Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado da plataforma Distrito, as soluções trazidas pelas startups descomplicam e trazem agilidade para setores historicamente complexos e de lentas mudanças. “A tecnologia, unida a processos mais leves que seguem a premissa de ‘errar rápido’ para aprender a entregar a melhor solução, faz com que essas empresas inovadoras sejam vistas como uma saída importante em um momento delicado na saúde, no qual a velocidade de tomada de decisão precisa ser alta e o distanciamento social força e abre portas para o uso intensivo de mais tecnologia”. Ainda de acordo com o relatório do Distrito, já foram mapeadas no Brasil 747 Healthtechs até março de 2021, com o aumento de 28 novas companhias em um comparativo apenas com o mês anterior.

Case Local
Um dos principais desafios no setor da saúde é inovar. Entretanto, três startups de Curitiba acabam de entrar no seleto grupo das empresas referência em tecnologia para o segmento no mundo. As startups paranaense Hi Technologies, Nagis Health e Laura Networks foram selecionadas para integrar o TechEmerge Health, um programa do Banco mundial, International Finance Corporation (IFC), que estimula a internacionalização de empreendedores que investem em projetos de inovação para a saúde.
Curitiba foi a segunda cidade brasileira com mais startups selecionadas para o TechEmerge Health, atrás somente de São Paulo, que obteve cinco. O programa teve início na Índia, país que tem um grande público consumidor e forte potencial de tecnologia e já está no segundo ano no Brasil.
Hi Technologies
Há dez anos no mercado, a Healthtech conquistou seu lugar no programa graças a sua última inovação: o Hilab, um laboratório “de bolso” que faz exames remotos por meio de um dispositivo eletrônico e com apenas algumas gotas de sangue.
O equipamento da empresa curitibana já está em duas redes de farmácias da capital e permite realizar exames de gravidez (Beta HCG), perfil lipídico, dengue, glicose, vitamina D, HIV, sífilis, entre outros. Após a coleta, o sangue é colocado em contato com os reagentes, dentro do Hilab onde a amostra é “digitalizada” e transmitida via internet para análise pela equipe da Hi Technologies. Em poucos minutos, é liberado o laudo validado, também via internet.
“Com a entrada do Hilab nas farmácias, em 21 estados do país, sentimos que é hora de ir para um grande hospital e termos parcerias com grandes players. Por isso, participar do TechEmerge é muito importante”, observa Marcus Figueiredo, CEO da Hi Technologies. Segundo ele, o programa é uma chancela para fechar parcerias com grupos de saúde, que costumam ser rígidos na hora de incorporar uma inovação.
Laura Networks
Além da Hi Technologies e da Nagis Health, a Laura Networks também foi incluída no programa do Banco Mundial. Fundada por Jacson Fressatto, a startup criou o Robô Laura, que identifica sinais precoces da sepse (infecção generalizada), ao analisar exames e dados vitais dos pacientes.
A tecnologia já é usada nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Erasto Gaertner, Pequeno Príncipe e Cruz Vermelha. No ano passado, o Robô Laura foi apresentado ao prefeito Rafael Greca, que reforçou o apoio da Prefeitura às empresas que investem em tecnologia para a saúde.
